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A Ascensão e Queda da Engesa: Um Triste Capítulo da História da Indústria de Defesa Brasileira

Nos turbulentos anos 80, o Brasil se destacava como um dos grandes expoentes da indústria de defesa na América Latina, e a Engesa figurava como uma das principais protagonistas desse cenário. Exportando equipamentos militares de ponta para o mundo, a empresa brasileira se firmou como um dos principais fabricantes de viaturas militares, com destaque para os renomados blindados EE-9 Cascavel e EE-11 Urutu.

Fundada em 1958 por um grupo de engenheiros liderado por José Luiz Whitaker Ribeiro, a Engesa iniciou sua jornada fabricando equipamentos para a indústria do petróleo. Contudo, à medida que a empresa expandia seus horizontes, ela se tornou um dos principais pilares da indústria de defesa brasileira, elevando o país à quinta posição entre os maiores exportadores mundiais de material militar.

A Engesa não era apenas uma fabricante de veículos militares; ela se destacava pela inovação. A introdução da suspensão tipo bumerangue foi apenas um exemplo das soluções criativas que a empresa desenvolvia. Os resultados eram notáveis: viaturas de alta qualidade a um custo de aquisição acessível. Os produtos da Engesa provaram sua eficácia em combates reais em diversas partes do planeta, sendo exportados para mais de 20 países, com forte presença no Oriente Médio.

Contudo, o ponto crucial na trajetória da Engesa ocorreu entre 1981 e 1985, quando a Arábia Saudita buscava um novo carro de combate. Diante da recusa da Alemanha em fornecer o Leopard 2, a Engesa viu uma oportunidade única. Apresentando seu projeto, o Carro de Combate EE-T1 Osório, a empresa brasileira conquistou a atenção dos sauditas, impressionando-os nos testes de desempenho realizados no deserto.

O contrato em jogo era colossal, superando a marca de 1 bilhão de dólares, com a promessa de fornecer um Osório ao Exército Brasileiro a cada dez vendidos para a Arábia Saudita. Contudo, os Estados Unidos, defendendo seus interesses geopolíticos, pressionaram os sauditas a desistirem da compra do Osório brasileiro. A Engesa, privada desse contrato, enfrentou uma crise financeira insuperável, agravada pelo calote de 200 milhões de dólares do Iraque e pela decisão do governo brasileiro de adquirir carros de combate excedentes da Bélgica e dos EUA.

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A falência da Engesa, em outubro de 1993, foi uma tragédia para a indústria de defesa brasileira. A empresa, que poderia ter contribuído significativamente para o setor, deixou uma dívida de mais de 1,5 bilhões de reais, encerrando uma história marcada por inovação e excelência tecnológica.

À medida que revisitamos essa página da nossa história industrial, somos confrontados com a necessidade de aprender com os erros do passado. O episódio da Engesa destaca a importância do apoio governamental e da visão estratégica na preservação e desenvolvimento da capacidade de defesa nacional. Que sirva como uma advertência para o presente e o futuro, instigando ações que garantam que o Brasil não apenas proteja, mas fortaleça suas indústrias, garantindo sua soberania e domínio tecnológico.

 

por Angelo Nicolaci

 

 

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