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Redescobrindo o Brasil? A saga do Submarino português em sua primeira visita ao Brasil e ao hemisfério sul

No dia 7 de maio, uma nova página da história Brasil-Portugal foi escrita, mas não se trata de um fato que vá mudar a relação entre ambos países, ou mesmo influir na história de ambas nações, porém, será uma nova página na história naval lusitana, em especial a sua Força de Submarinos, que pela primeira vez em 110 anos de sua história, navegou em águas jurisdicionais brasileiras com um de seus submarinos, o NRP “Arpão”, marcando a inédita travessia do Atlântico rumo a América do Sul, cruzando pela primeira vez a Linha do Equador e atracando na Base Almirante Castro e Silva (BACS), localizada no Complexo Naval do Mocanguê, em Niterói (RJ). A chegada ao Rio de Janeiro foi marcada por um cerimonial, contando com a presença de membros da comitiva visitante e representantes diplomáticos da República de Portugal no Brasil.

O NRP “Arpão” conta com uma tripulação composta por 35 militares, dos quais três mulheres, o submarino de propulsão diesel-elétrica incorporado a Marinha Portuguesa em 2011, foi desenvolvido através de uma parceria entre a alemã HDW (Howaldtswerke-Deutsche Werft) e o consórcio luso-alemão EMEPC. O NRP “Arpão”  apresenta 67,9 metros de comprimento, diâmetro do casco (Boca) de 6,3 metros e uma altura de 13 metros. O submarino desloca cerca de 2.020 toneladas submerso e 1.842 toneladas à superfície, atingindo uma velocidade máxima de 10 nós navegando na superfície e o dobro quando submerso.

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A viagem de “Descobrimento das américas” percorreu cerca de 2800 milhas náuticas, demandando 20 dias de mar, durante a travessia o submarino lusitano realizou missão de patrulha no Atlântico até sua chegada ao Rio de Janeiro.  A escala no Rio de Janeiro é a segunda parada do “Arpão”, que desde suspender da Base Naval de Lisboa, tendo feito sua primeira parada para reabastecimento em Cabo Verde.

A viagem ao hemisfério sul pelo NRP “Arpão”, é parte da iniciativa “Mar Aberto”, que visa estreitar relações bilaterais e diplomáticas entre Portugal e outros países do hemisfério sul, bem como a vigilância de espaços marítimos de interesse português.

Os submarinistas lusitanos ficaram atracados na BACS entre os dias 7 e 12 de maio, e realizaram exercícios com o submarino S34 “Tikuna” da Marinha do Brasil.  Na ocasião da passagem do submarino português pelo Brasil, o Vice-Almirante Edgar Luiz Siqueira Barbosa, Comandante em Chefe da Esquadra, ressaltou: “A iniciativa será de grande ganho operativo, tanto para o Brasil quanto para Portugal, e representa mais uma oportunidade de promoção da interoperabilidade entre as duas Marinhas, elevando o nível de prontidão, capacitação e combate, bem como o estreitamento dos laços de amizade entre os dois países”.

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Almada, 31/03/2023 – NRP Arpão, esta manhã na base do Alfeite em Almada.
Cabo Figueiredo; Segundo Tenente Duque; Capitão Tenente Taveira Pinto; Capitão de Mar e Guerra Baptista Pereira; Primeiro Tenente Paula Oliveira
( Pedro Rocha / Global Imagens )

O regresso do submarino à Portugal, esta previsto para o dia 1 de agosto, quando terão sido percorridas mais de 13 mil milhas, totalizando cerca de 2500 horas de navegação. Nestes quatro meses, o NRP “Arpão” irá visitar dois continentes e um total de cinco países. Após realizar as escalas em Mindelo no Cabo Verde e no Rio de Janeiro em sua passagem pelo Brasil, o submarino lusitano rumará para Cidade do Cabo, na África do Sul, onde deve chegar no dia 10 de junho, coincidindo com as comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que este ano irão passar por aquele país. Em sua reta final, a iniciativa “Mar Aberto” passará por Luanda, em Angola, e a última escala antes do regresso a Portugal será na cidade de Casablanca, no Marrocos.

 

por Angelo Nicolaci

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