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Ilhas Martin Vaz e Trindade: Presença da Marinha garante a soberania territorial e avanços técnico-científicos

Trindade, a ilha onde o sol nasce primeiro no Brasil. Situado a cerca de 1.200 quilômetros (km) de Vitória (ES), habitado e protegido por militares da Marinha do Brasil (MB), o local só pode ser visitado por pesquisadores vinculados a projetos científicos de diversas áreas do conhecimento como, por exemplo, peixes recifais, rochas vulcânicas, aves e flora endêmicas da Trindade. A região, além de ser o berço para diferentes espécies de fauna e flora brasileira – inclusive com algumas que somente são identificadas lá – está próxima a bacias petrolíferas e à área de maior desenvolvimento socioeconômico do País, tornando-se, assim, um importante ponto estratégico para a defesa nacional. Por isso, em 1957, foi determinada a criação do Posto Oceanográfico da Ilha da Trindade (POIT). Desde então, a ilha é ocupada por militares da MB.

“A presença do nosso pessoal garante a posse efetiva e o direito do País em estabelecer o Mar Territorial (MT) e a Zona Econômica Exclusiva (ZEE) em seu entorno. Estes espaços, somados, totalizam uma área de 450 km² ao seu redor, concedendo ao Brasil os direitos de soberania para pesquisar, preservar ou explorar, de modo sustentável, os recursos da massa líquida, do solo e do subsolo marinhos”, afirma o chefe do destacamento do POIT, Capitão de Corveta (Auxiliar da Armada) André Luiz Moura Mateus.

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Em 2007, foi lançado o PROTRINDADE (Programa de Pesquisas Científicas na Ilha da Trindade), destinado a gerenciar o desenvolvimento de pesquisas científicas na Ilha da Trindade, Arquipélago de Martin Vaz e na área marítima adjacente, a fim de possibilitar a obtenção, a sistematização e a divulgação de conhecimentos científicos sobre a região. Ele atende às diretrizes da Política Nacional para os Recursos do Mar (PNRM), da Política Nacional de Defesa e da Política Nacional de Meio Ambiente, tendo como propósitos: contribuir para a consecução dos objetivos estabelecidos pela PNRM; promover pesquisa diversificada, de qualidade, com temas relevantes; incentivar a formação de recursos humanos com capacidade de conduzir investigação científica de qualidade e priorizar, sobre todas as atividades, a segurança e as boas condições de trabalho.

Parceria junto à Comunidade Científica

No dia 21 de maio, ocorreu, em Martin Vaz, a troca do mastro que sustentava o Pavilhão Nacional (símbolo da presença brasileira nesta região), seguida de cerimonial à bandeira, que foi hasteada por pesquisadores, reforçando o compromisso e a parceria da MB junto à comunidade científica.

Um dos objetos de estudos existentes na Ilha da Trindade é o Projeto Ecológico de Longa Duração nas Ilhas Oceânicas (PELD ILOC), que atua no monitoramento da biodiversidade marinha das Ilhas Oceânicas Brasileiras desde 2013. Ele tem auxiliado nas elaborações de planos estratégicos de manejo e conservação de espécies, além de subsidiar a gestão das unidades de conservação marinha.

A pesquisadora e Mestre em Ecologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ana Clara Suhett, destacou a parceria com a Marinha como imprescindível para o desenvolvimento de seu projeto.

“Por meio desse apoio prestado pelo PROTRINDADE, além das pesquisas do PELD ILOC, também são desenvolvidos, na Ilha da Trindade, o ONDA ILOC (Observadores da Natureza para o Desenvolvimento Ambiental das Ilhas Oceânicas Brasileiras), que são atividades de ciência cidadã, com os militares da MB presentes na ilha. As atividades incluem os militares nas pesquisas científicas do PELD ILOC/ONDA ILOC e permitem que eles identifiquem estratégias de conservação para o local. Além disso, por meio do monitoramento, o projeto busca aproximar os militares das questões ambientais que os cercam. Na ilha, eles fazem a fiscalização de peixes recifais, tartarugas marinhas, caranguejos, corais e do lixo, que chega até o local em grande abundância. Vale ressaltar que a atividade é voluntária e que os militares que nos ajudam no projeto de ciência cidadã são importantes aliados da pesquisa e um apoio mais que fundamental, já que eles são nossos olhos quando não estamos lá”, reforçou ela.

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Outro projeto que se destaca é o RETER-Trindade, que visa recuperar o ecossistema terrestre da ilha da Trindade para a preservação de espécies ameaçadas de extinção. A partir do século XVIII, exploradores promoveram a introdução de cabras, porcos e outros animais na região, que causaram um grande impacto no equilíbrio ambiental da ilha, principalmente para a degradação da vegetação nativa.

A fim de mitigar os danos, foram adotadas medidas como: remoção e mapeamento de roedores, que se alimentam da vegetação nativa e de ovos e filhotes de aves marinhas; reintrodução de espécies vegetais nativas; remoção de plantas exóticas e incentivo à recolonização de espécies de aves localmente ameaçadas e extintas, a exemplo do Atobá-de-pé-vermelho e a Fragata-de-Trindade.

“O RETER é apoiado pelo PROTRINDADE e pela MB, sendo fundamentais para a evolução do meu projeto, pois possibilitam o deslocamento de pesquisadores até a ilha e também a sua manutenção em Trindade. As Ilhas e a Amazônia Azul, de modo geral, apresentam uma biodiversidade oculta para a maior parte da população. A parceria entre os pesquisadores e a MB demonstra um grande objetivo em comum: a manutenção do ecossistema marinho”, ressaltou a bióloga e Mestre em Oceanografia Biológica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Mariana Scain Mazzochi, responsável técnica do Projeto RETER – Trindade.

Maior ninhal de tartarugas verdes do Brasil

A ilha tem potencial para estudos de diferentes ramos da ciência. Trindade e Martin Vaz são pontos únicos na história geológica do País, formados por eventos vulcânicos recentes dentro do âmbito da geologia. A diversidade da fauna marinha inclui peixes, como: garoupas, xeréus e dourados, além de baleias jubarte, golfinhos e tubarões de diversas espécies. Trindade também é o maior ninhal de tartarugas verdes do Brasil. Esses dados são obtidos por meio de monitoramento, efetuados pelo Projeto Tartarugas Marinhas (TAMAR) e pelo Instituto Chico Mendes de Preservação da Biodiversidade, com o apoio da Marinha do Brasil.

Desde 1982, diversas equipes do TAMAR estiveram na Ilha da Trindade com objetivo de realizar a marcação de fêmeas e levantamentos de dados sobre a biologia reprodutiva da tartaruga verde. A maior parte das tartarugas que desovam na região tem um intervalo de re-imigração de três anos, ou seja, ela desova em uma temporada e retorna à ilha para desovar novamente, em média, após três anos.

Em Trindade, a abundância de desovas é monitorada pela contagem dos rastros deixados pelas fêmeas quando elas vêm à praia para desovarem. Este método é particularmente importante em regiões com uma ampla distribuição de praias de difícil acesso. O monitoramento é realizado por meio de patrulhas conduzidas por duas pessoas a pé, onde as principais praias de desovas são percorridas diariamente, pela manhã, para o registro das ocorrências reprodutivas da noite anterior, com a contagem e classificação de rastros com desova ou sem.

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Já durante a noite, período em que acontecem as desovas, as praias são monitoradas com o propósito de flagrar as fêmeas em atividade reprodutiva para marcação, coleta de dados, de tecido e identificação do ninho. A marcação consiste na aplicação de grampos metálicos, um em cada nadadeira anterior. As medições do comprimento e largura curvilíneos da carapaça são obtidas utilizando fita métrica plástica. Além disso, são realizadas coletas de tecidos para futura análise genética.

Já os ninhos são marcados para determinar o sucesso de eclosão dos filhotes e a duração do período de incubação. O monitoramento das tartarugas verdes na Ilha da Trindade é contínuo e fornecerá informações valiosas sobre essa população.

Além de tudo isso, a Ilha é um importante ponto para coleta de informações meteoceanográficas e, não por acaso, conta com uma Estação Meteorológica (EMIT) operada pela MB, capaz de captar e enviar ao continente, parâmetros que ajudam a refinar a previsão do tempo para o Brasil e Atlântico Sul. Conta, ainda, com um marégrafo, que faz parte da rede de monitoramento do nível dos oceanos. Em termos de botânica, Trindade é única e destaca-se por possuir espécies endêmicas, como o caso da floresta de samambaias gigantes, que chegam a medir seis metros de altura.

Fonte Marinha do Brasil

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