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Falta planejamento e decisão para energia nuclear “decolar” no Brasil

O que falta para a energia nuclear ser amplamente adotada no Brasil? Planejamento de longo prazo e decisão política, respondem os especialistas que participaram do primeiro dia do XIV Seminário Internacional de Energia Nuclear. O diretor-presidente da Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), Luis Fernando Prioli, foi um dos participantes do evento, que começou nessa terça, 21/11 (na sede Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro, na Glória, bairro da Zona Central do Rio de Janeiro) e tem como tema Como tornar os empreendimentos nucleares mais rápidos e mais baratos.

– Precisamos de planejamento de longo prazo, e isso significa planejamento de Estado, não de governo. Se hoje precisamos de decisões políticas, é porque elas não foram tomadas durante a fase de planejamento – analisou.

Também convidado para a abertura, o presidente da Eletronuclear, Eduardo Grivot de Grand Court, criticou as longas interrupções que atrasam as obras de construção das usinas nucleares brasileiras. O que eleva muito, e desnecessariamente, o seu custo final. Ele avalia que essa falta de decisão pode acarretar falta de energia para sustentar o crescimento do país no futuro, sem alcançar a desejada diminuição da produção de carbono.

– A energia nuclear é a principal contribuinte para alcançarmos esse objetivo. Há outras fontes de energia sendo implementadas no país que são mais caras – disse.

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O painel Custos e prazos de construção – o desafio de empreendimentos mais rápidos e mais baratos teve como moderador John Forman, o diretor da J. Forman Consultoria. Ele também concorda com a ideia de que o planejamento da instalação de usinas nucleares deve ser feito a longo prazo, e deve integrar um programa de Estado. Forman também alertou para a importância da escolha da tecnologia, pois pode influenciar toda a cadeia de suprimentos e causar atrasos e aumento de custos.

– No mundo inteiro os custos aumentam por causa de atrasos e interrupções. E isso leva ao aumento das tarifas – lembrou.

O chefe de gabinete da presidência da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Gustavo Cerqueira, ponderou que o atraso em obras de usinas nucleares não é exclusividade do Brasil. Segundo ele, o tempo médio de construção é de oito anos, mas lembrou que há prazos que se estendem para além de 40 anos. Cerqueira também listou outros benefícios trazidos pela adoção da energia nuclear.

– Vai além da segurança energética, também traz externalidades positivas como produção de conhecimento, domínio de tecnologia, abatimento de carbono e impactos socioeconômicos, como alto valor agregado, empregos qualificados e inovação – disse.

Paulo Senra, pesquisador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico GESEL/UFRJ, participou do painel Desafios em segurança, gestão de resíduos e aceitação pública dos SMRs. Ele citou alguns pontos que merecem atenção na adoção dos Small Modular Reactors (SMRs), que são reatores nucleares de pequena escala, modulados e transportáveis, projetados para gerar eletricidade em quantidades menores em comparação com as u sinas nucleares tradicionais. E defendeu o aprimoramento da comunicação para lidar com o desconhecimento da população sobre o tema.

– Soube do caso de uma influencer com muitos milhares de seguidores, que divulga informações sobre energia nuclear, que recebeu uma crítica. A pessoa reclamava da defesa que ela faz e postou uma foto de uma usina soltando fumaça, dizendo que era radioativa. Na verdade, era vapor d’água – contou.

1 Comment

  • blank Elias E. Vargas

    Não posso preciar se é a falta de investimentos na Educação e pesquisa ou se é um problema endemina de nossa cultura, que nos leva a eternizar os projetos, seja por discussões acadêmicas ou apenas por contencigenciamento de verbas que quando são final mente concluídos estarão tecnologicamente e com orçamento estourado, transformando-se por vezes em um “Elefante Branco”

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