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Escola Técnica do Arsenal de Marinha capacita militares e civis na área da indústria naval

Considerada um dos principais centros de qualificação e capacitação profissional no setor industrial naval do País, a Escola Técnica do Arsenal de Marinha (ETAM) completa, hoje (18), 100 anos. A instituição é responsável pela qualificação profissional complementar na área da indústria naval e tem suas origens ligadas à história do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ) e da própria construção e reparação naval no Brasil.

“São 100 anos dedicados ao provimento de recursos humanos capacitados em prol da Marinha e da Indústria Naval. Gerações de técnicos e operários formados pela Escola já atuaram e atuam diretamente na construção e manutenção de importantes navios da Marinha”, afirmou o diretor da ETAM, Capitão de Fragata (EN) Adriano Nizer.

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A ETAM foi a primeira escola técnica e profissional criada na Marinha do Brasil (MB), a fim de formar operários civis como mão de obra qualificada para atuar nas diversas oficinas do AMRJ. Em dezembro de 2020, foi transformada em Organização Militar, passando à subordinação da Diretoria Industrial da Marinha (DIM) e preservando o seu histórico nome.

Ao longo do tempo, a Escola promoveu cursos técnicos de diversas áreas ligadas à atividade da construção naval, dos quais saíram profissionais que atuaram em importantes projetos de construção e manutenção, como na construção das Fragatas “União” e “Independência”, do Navio-Escola “Brasil”, das corvetas das classes “Inhaúma” e “Barroso” e os submarinos classes “Tupi” e “Tikuna”.

Dentre os alunos que passaram pela instituição, cerca de 17 mil, entre civis e militares, um deles chegou ao cargo mais alto da Força. O ex-Comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Almir Garnier Santos, foi aluno do Curso Industrial Básico nas primeira e segunda séries do Ginásio Industrial e formou-se como Auxiliar Técnico em Estruturas Navais, em 1973.

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Em comemoração ao centenário da Escola, alunos e ex-alunos relembraram histórias e compartilharam memórias. O mais antigo, entre os ex-alunos vivos, é Adamastor Duarte Costa. Ele ingressou na escola em 1949, aos 16 anos, para cursar o atual Ensino Médio técnico, conhecido, à época, como secundário.

“Fiquei na escola até 1952. Em uma palavra a ETAM para mim é tudo, pois me deu uma profissão, emprego, vida. Fui criado na roça, nem conhecia a cidade direito. Naquela época, o mais difícil era a situação financeira que eu enfrentava. Na minha formação profissional, a escola contribuiu muito. Eu estava entre os 10 melhores na época, me destaquei na profissão.

Não conheci o meu pai e, só depois que estudei, descobri que escolhi a mesma profissão que a dele, Carpinteiro Naval”, afirmou.

Pertencente à primeira turma do curso técnico a contar com a presença de mulheres, a ex-aluna Jane de Souza Xavier ingressou na escola na década de 1980. “Iniciei os estudos no Curso Técnico de Estruturas Navais em período integral. Minha turma era composta por apenas três mulheres e 18 homens. Fomos muito bem recebidas e cuidadas por toda a equipe [professores, direção e administrativo]. Claro que a figura da aluna era novidade, principalmente quando íamos visitar as oficinas. Eu, particularmente, não avistei nenhum obstáculo ou impedimento com a presença de uma mulher entre os homens. Ter estudado na ETAM, de janeiro de 1986 a fevereiro de 1987, me fez ser a profissional e a pessoa que sou até hoje”, revelou.

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Atualmente, a ETAM oferece cursos expeditos e estágios nas áreas de soldagem, refrigeração, eletrotécnica, eletrônica, automação, cursos expeditos do Quadro Técnico Industrial de Praças (QTIP) nas áreas de eletrônica, eletrotécnica, estruturas navais, mecânica, motores e metalurgia, além dos cursos extraordinários em parceria com a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro – Serviço de Aprendizagem Industrial do Rio de Janeiro (FIRJAN/SENAI), nas áreas de segurança do trabalho, logística, engenharia industrial, metalurgia, automação, eletrotécnica, refrigeração, elétrica e mecânica. Em cooperação com a FIRJAN – SENAI, a Escola tem aprimorado o conhecimento técnico de militares de carreira e temporários, ofertando vagas em cursos profissionalizantes. Já foram formadas mais de 60 turmas, com cerca de 470 militares capacitados.

Entre os alunos atuais, o Terceiro-Sargento Uilson de Oliveira Barauna, da oitava turma do curso expedito para o quadro técnico industrial de Praças, vê na escola a oportunidade de aprimorar e ganhar mais conhecimento. “Ser aluno na ETAM me possibilita não só relembrar assuntos estudados durante o curso técnico, mas, também, adquirir novos conhecimentos, como em noções de processo de docagem dos navios de Marinha, por exemplo, que eu não fazia ideia de como tal manobra ocorria. Além disso, conhecer os diferentes sistemas utilizados nos meios navais faz toda a diferença na carreira”, afirmou.

A DIM, juntamente com a ETAM, vem buscando acordos de cooperação e parcerias visando capacitar e aprimorar a qualificação da força de trabalho das Organizações Militares Prestadoras de Serviços (OMPS), e das demais Organizações Militares da MB e extra-Marinha. Cerca de 800 alunos estão sendo capacitados, anualmente, em cursos relacionados à área industrial, suprindo a necessidade de pessoal para atuar nas OMPS.

Fonte Marinha do Brasil

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