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Batalha Naval de 04 Maio e as mudanças no destino do Brasil

Na memória dos brasileiros, especialmente dos baianos, o dia dois de julho é especial. Remete à data em que os portugueses resistentes à emancipação nacional deixaram a Bahia, naquela que foi a primeira das Guerras de Independência do Brasil. No entanto, um confronto anterior foi essencial para a vitória brasileira: a Batalha Naval de 4 de Maio.

O evento, que completa 200 anos nesta quinta (04), ficou marcado pela atuação de personagens históricos da Marinha do Brasil (MB). A manobra do Comandante em Chefe da Esquadra brasileira, Almirante Thomas Cochrane; a operação da Flotilha de Itaparica, coordenada pelo Capitão-Tenente João das Bottas; e o batismo de fogo do então jovem Joaquim Marques Lisboa, futuro patrono da Força, destacam essa data no Calendário da MB em comemoração ao Bicentenário da Independência.

Em cerimônia realizada no Forte de São Lourenço, localizado na ilha de Itaparica (BA), o Comandante do 2º Distrito Naval, Vice-Almirante Antonio Carlos Cambra, destacou “que a libertação da Bahia não aconteceu em um dia, ela é resultado de um processo que se iniciou em 1822, com conquistas progressivas e expressivas de dedicados brasileiros à causa da independência. Lembrar a Batalha Naval de 4 de Maio é rememorar a brilhante atuação da recém-criada Esquadra brasileira, sob o comando do Almirante Cochrane, na consolidação desse processo e na manutenção da integridade territorial do nosso País”.

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Além de patrimônio histórico e cultural, o Forte São Lourenço abriga a única Estação de Medições Magnéticas de navios e submarinos em toda a América Latina, possuindo em sua estrutura um conjunto de raias de sensores, que permitem a análise dos efeitos do magnetismo nos navios, durante a sua passagem, de modo a dificultar a sua detecção por minas de influência magnética. Essa ação constitui uma Contramedida passiva da Guerra de Minas, um dos segmentos de importância fundamental na Estratégia de Defesa Nacional.

A Batalha Naval de 4 de maioO combate entre navios da Primeira Esquadra Brasileira e os da Esquadra portuguesa se insere no processo de Independência do Brasil. Ainda que proclamada no dia 7 de setembro de 1822, seria necessário mais um ano de luta para que a emancipação política do País fosse consolidada.

Nesse contexto, a Esquadra Brasileira estava sob o comando do Primeiro-Almirante Thomas Cochrane, britânico com experiência em guerras no mar pela Marinha inglesa e que havia recentemente participado das lutas pela independência do Chile. O conjunto de navios sob o seu comando foi constituído em novembro de 1822, após um significativo esforço, que contou com a contribuição do suor e das economias de brasileiros devotados à causa da independência.

A decisão de formar essa Esquadra foi fundamental para a manutenção da integridade de um território no qual as comunicações entre os núcleos urbanos espalhados se dava majoritariamente pelo mar. “Ainda àquela época, o mar era a grande estrada e a maior parte da vida econômica brasileira desenvolvia-se à beira-mar. Explica-se porque as primeiras grandes cidades brasileiras se desenvolveram ao longo da costa. A importância de uma forte Esquadra impunha-se para defender a população brasileira e as riquezas nacionais”, explica o presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, Joaci Fonseca de Góes.

Em poucos meses, a Esquadra foi prontificada e posta a navegar. Suspendeu do Rio de Janeiro, sede do governo do Império, no dia 1o de abril de 1823 em direção à Bahia.  “Essa Esquadra tinha a difícil tarefa de dissipar a reação militar e naval lusitana à emancipação política, evitando que os portugueses fossem reforçados nas províncias, cujas Juntas de Governo mantinham fortes vínculos com a antiga metrópole, a exemplo da Bahia”, destaca o Chefe do Departamento de História Marítima e Naval da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, Capitão de Fragata (T) Carlos André Lopes da Silva.

Além de cortar as comunicações entre Portugal e a Bahia, a Esquadra Brasileira também seria um importante elemento para o cerco aos militares portugueses em Salvador. Esse cercamento já era realizado pelas tropas pró-Independência após a Batalha de Pirajá – ocorrida em 8 de novembro de 1822 -, depois destas marcharem do Recôncavo Baiano até a capital baiana, e pela Flotilha Itaparicana, comandada pelo Capitão-Tenente João Francisco de Oliveira Botas, que se destacou nos combates nas águas da Baía de Todos-os-Santos, entre as embarcações sob seu comando e as enviadas pelas forças portuguesas.

Do outro lado, a Esquadra portuguesa era comandada pelo Chefe de Divisão João Félix Pereira dos Campos, subordinado ao Governador das Armas, designado pela Junta de Governo ligada à Lisboa, Brigadeiro Inácio Luís Madeira de Melo. Essa Esquadra era o bastião da reação portuguesa, pois fora reforçada ao longo de 1822 por recursos humanos e meios operativos, com o potencial de suprir as outras praças militares no Brasil que ainda eram vinculadas a Portugal.

Depois do período de preparação de pessoal, com constantes exercícios de tiro, e de material, a Esquadra brasileira finalmente avistou a Baía de Todos-os-Santos, em 24 de abril de 1823, para bloquear Salvador. “É importante ressaltar a desvantagem numérica em comparação à portuguesa: eram sete navios brasileiros contra treze lusitanos. Para se desvencilhar desse bloqueio, a Esquadra portuguesa se deslocou pelas proximidades de Salvador em busca da oponente brasileira, encontrando-a em 4 de maio”, lembrou o Capitão de Fragata (T) Lopes.

Após os sinais da presença de ambas esquadras às 6h da manhã, o combate começou por volta do meio-dia, com os navios brasileiros dispostos a cortarem a formação da Esquadra portuguesa, uma ação considerada audaz por parte da Esquadra brasileira. Depois de horas de engajamentos e disparos entre as duas forças, os canhões se calaram ao anoitecer.

A relevância deste acontecimento se deve à resistência dos brasileiros à investida dos navios lusitanos pois, assim, poderiam continuar com o bloqueio aos portugueses na Bahia. Desse modo, deslocaram-se para as águas abrigadas da angra de Morro de São Paulo e, no dia 13 de maio, retornaram a Salvador, encerrando a jornada do bloqueio com a vitória no dia 2 de julho, com os portugueses deixando a cidade sob escolta da Esquadra de Cochrane até Portugal.

A batalha de 4 de maio de 1823 nas águas da Bahia ocorreu no contexto das lutas em que se envolveram os denodados brasileiros ou os que aderiram à causa da Independência, demonstrando o sentimento de pertencimento à Nação que surgia nas Américas, construído no fragor do combate.

“Neste dia 4 de maio, a Marinha do Brasil e a sociedade baiana reverenciam o fato histórico que foi de fundamental importância para a consolidação da Independência do Brasil e que marca, também, o batismo de fogo do jovem `Tamandaré` nas lutas pela Independência”, ressaltou o Almirante Cambra em sua Ordem do Dia alusiva à data.

Nascido em 13 de dezembro de 1807, em Rio Grande, Rio Grande do Sul, Joaquim Marques Lisboa iniciou sua trajetória na Marinha do Brasil aos 15 anos de idade, ao apresentar-se como voluntário, em 1823, durante as lutas pela Independência. Ainda muito jovem, a bordo da Fragata “Niterói”, sob o comando do Capitão de Fragata John Taylor, o futuro Marquês de Tamandaré, Patrono da Marinha do Brasil, participou dos combates na costa da Bahia e do bloqueio a Salvador, contra as forças de mar portuguesas.

Fonte: Marinha do Brasil

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