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Abarrancagem: navios utilizam árvores para “atracação” nos rios

Pouco conhecida na maior parte do País, porém, muito usual na Amazônia e no Pantanal, por conta dos rios dessas regiões, a “abarrancagem” é uma modalidade de atracação de embarcações, que utiliza os troncos das árvores como suporte, quando não há um porto ou cais próximo ou com capacidade para receber o navio.

A prática também é usada quando o objetivo é manter a embarcação camuflada na área, para uma operação de fiscalização, por exemplo. Já o fundeio é outra forma de “estacionar” o navio, ou seja, de parar os motores para que permaneça imóvel em determinado ponto do rio ou do mar, quando é lançada a âncora (que, na Marinha, é chamada de “ferro”) na água.

De acordo com o Capitão de Corveta Vinícius Fagundes, que já serviu tanto no Pantanal quanto na região Amazônica, onde foi Comandante do Navio-Patrulha Fluvial “Pedro Teixeira”, a abarrancagem exige cuidado e atenção, principalmente à noite, quando a visualização é reduzida. “Quando não há um local para atracação do navio, então, é necessário escolher um local à margem do rio, onde existam árvores grandes, fortes e resistentes. Realizamos uma aproximação lenta do navio e passamos as espias (cabos de atracação), para que a embarcação fique em segurança, durante o período que precisa permanecer na região”.

Quando o navio está navegando, os militares escolhem um ponto na carta náutica para a abarrancagem, como esclarece o Capitão de Corveta Vinícius. “Utilizamos binóculos ou enviamos militares de lancha para checar se as árvores são resistentes, firmes, e se há excesso de galhos, para não danificar o navio. O Navio ‘Pedro Teixeira’, por exemplo, opera com aeronaves a bordo, então, temos que ter cuidado para que nenhum galho fique disperso no convés de voo”.

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Fundeio x Abarrancagem

Geralmente, a abarrancagem é feita quando o navio precisa realizar alguma missão em terra e se aproxima da margem, até que encontre uma árvore onde possa amarrar as espias e permanecer estabilizado, se tornando base para o serviço a ser prestado, como por exemplo, em uma Ação Cívico-Social. Já no fundeio, o navio permanece estável no leito do rio, e é preciso utilizar lanchas para que os militares desembarquem e cumpram a missão em terra.

Em relação às diferenças dessa atividade no Pantanal e na Amazônia, o Comandante Vinícius explica que a forma de abarrancagem nas duas regiões é praticamente igual, com apenas uma diferença: na Amazônia, na maioria das vezes, não há “barranco” em si, então, praticamente todo o serviço é feito com os militares nas lanchas. Já no Pantanal, conseguem pisar em terra para passar as espias.

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Desafios da navegação nos rios

No mar, é possível realizar diversas fainas marinheiras, mais operativas, entre os navios. Já no rio, não é possível fazer todos os tipos, porque o rio não é tão largo. Inclusive, no Pantanal, o rio é mais estreito e fica ainda mais difícil fazer transferência de carga leve, por não haver espaço. Na Amazônia, onde os rios são mais largos, algumas fainas podem ser feitas, mas com restrições. “Outro ponto para prestar atenção é em relação à navegação no rio à noite, porque você pode encontrar uma embarcação menor navegando. A área é curta, logo, diminui o espaço para desviar. Além disso, no rio é mais comum encalhar, por conta de os rios não serem regulares”, explicou.

Para o mestre do navio, o Suboficial Alexandre Siqueira dos Santos, fazer abarrancagem na Amazônia é interessante por ser uma tarefa diferente da realizada em um cais. “Temos que procurar a melhor árvore, que suporte a quantidade de espias e seja forte o suficiente para segurar o navio, de forma que não deixe a proa (área frontal) nem a popa (traseira) se movimentarem, além disso, temos que fazer os cruzamentos dessas espias para ficarem no padrão marinheiro”, afirmou.

Ele também destacou que, como responsável pelas manobras e reparos, também precisa se manter atento à segurança do pessoal envolvido em cada atividade, especialmente, na abarrancagem. “Observo se todos estão utilizando equipamento de segurança individual e também testamos todos os equipamentos antes de cada manobra”, disse.

Fonte: Agência Marinha de Notícias

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