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A verdade por trás das sanções contra a exportação do Guarani

No mês de março, uma ação alemã contra a exportação do VBTP “Guarani” para as Filipinas, reverberou no meio midiático erroneamente como um efeito colateral do conflito ucraniano e a negativa brasileira em fornecer material de defesa ao país que trava uma guerra contra a invasão russa.

O veto alemão a venda dos blindados “Guarani”, produzidos pela IDV em Sete Lagoas (MG) para as Filipinas, nada tem haver com a negativa do governo brasileiro em fornecer munição para a Ucrânia, conforme grande parte da mídia e alguns blogueiros tem insistido em propagar.

Durante a 13ª edição da LAAD Security & Defense, maior feira de defesa da América Latina, ocorrida entre os dias 11 e 14 de abril, no Riocentro (RJ), nosso editor esteve em conversas com pessoal da IDV, responsável pela produção dos VBTP “Guarani”, e foi esclarecido alguns pontos sobre as sanções impostas a exportação da viatura brasileira para as Filipinas, que segundo levantamos, em nada tem haver com a posição brasileira em relação ao fornecimento de material á Ucrânia.

Segundo apuramos, o veto alemão envolve o fornecimento das viaturas brasileiras pelo fato das mesmas contarem com conjunto de transmissão de fabricação alemã, os quais estão classificados como itens de exportação controlada pelo governo alemão.

O porque do veto alemão

As relações entre a Alemanha e as Filipinas, têm enfrentado um momento conturbado, onde os alemães tem exercido pressão sobre o governo filipino devido as denúncias de recorrentes violações dos direitos humanos pelo governo Filipino.

Como resposta a posição do governo filipino, os alemães levantaram um embargo ao fornecimento de material de defesa ao país, o que envolve qualquer componente de fabricação alemã classificado como item controlado de defesa, seja empregado em meios de produção alemã ou estrangeiros, e é neste ponto que as sanções alemães atingem a exportação brasileira do VBTP “Guarani” as Filipinas.

Derrubando a Fake News

Mantendo o compromisso do grupo GBN Media Solutions, responsável pela edição e publicações dos sites BrasilDefesa e GBN Defense, em esclarecer fatos e trazer ao público notícias de firma objetiva, imparcial e com informações com credibilidade, fiéis aos valores do bom jornalismo, aferimos que, as notícias que tem circulado nas redes sociais, com relação ao veto alemão a exportação do “Guarani”, sob alegações de retaliação a negativa brasileira em fornecer munição à Ucrânia, trata-se de mais uma Fake News.

Tal veto não tem qualquer fundamento na relação diplomática entre Brasil e Alemanha, e muito menos na pressão exercida pelos Estados Unidos sobre os demais players globais a apoiarem a Ucrânia.

A necessidade que mais uma vez emerge na BID

Essa situação por outro lado, deixa clara e urgente a necessidade de se ampliar o nível de nacionalização dos componentes de nossos produtos de defesa e tecnologias militares, evitando que o Brasil fique exposto aos embargos impostos  pelos EUA e seus aliados, a venda de sistemas de defesa que possuam componentes oriundos de sua indústria.

Esse não é o primeiro episódio onde temos nossas exportações prejudicadas pelo veto de venda de um produto de defesa, pelo embargo externo devido aos interesses alheios ao brasileiro, devido ao uso de componentes importados em nossos produtos, afetando nossa Base Industrial de Defesa (BID).

No caso envolvendo a exportação do “Guarani” as Filipinas, a IDV afirmou estar trabalhando com a indústria nacional afim de desenvolver um sistema de transmissão nacional afim de substituir os componentes alemães na viatura brasileira, assim, contornando o embargo á venda brasileira. Além da equipe de engenharia da IDV, a Diretoria de Fabricação (DF) do Exército Brasileiro, tem acompanhado e participado do processo de desenvolvimento de uma solução nacional para substituir os componentes de origem alemã.

É preciso iniciar uma discussão séria no seio da sociedade brasileira, com relação a importância do investimento no setor de defesa, desmistificando antigas falácias, as quais acabam resultando na míope visão sobre defesa e sua indústria no Brasil. Demonstrando a sociedade que cada real investido no setor, retorna em arrecadação de impostos, geração de empregos e avanço tecnológico de nossa base industrial, beneficiando não apenas o setor de defesa, mas a indústria e nossa economia como um todo.

Por Angelo Nicolaci

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