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O milagre de Ypres – A lendária “Tregua de Natal”

Durante um dos mais destrutivos e mortais conflitos da humanidade, onde a carnificina superou tudo já visto até entäo em toda nossa história, um caso muito inusitado ocorreu nas trincheiras próximas a cidade de Ypres, na Bélgica. O inimaginável ocorreu entre os dias 24 e 25 de dezembro de 1914. Tropas alemãs estavam entrincheradas, engajadas numa feroz batalha por cada centímetro de terreno. Do outro lado do campo de batalha, tropas britânicas e francesas se defendiam e contra atacavam. Os ataques consistiam em bombardeios, tiros com rifles de assalto e tentativas de avanço territorial.

O inverno severo se abatia sobre as tropas envolvidas naquele cenário, levando os soldados a retrocederam para suas posições e praticamente não retomar os ataques.. Às vésperas do Natal, era possível observar ambos os lados, a distância entre as tropas era muito pequena, apenas algumas dezenas de metros separavam as forças, a chamada “terra de ninguém”, alguns soldados aproveitaram para festejar com seus campanhas, fumando, bebendo e comendo sem se importar de serem vistos pelo inimigo. No suceder das comemorações, alguns soldados começaram a se mostrar descontraídos e festivos, dentro de suas trincheiras. Pareciam não se importar nem com a guerra e nem com o inverno, e estranhamente, o inusitado aconteceu, alguns começaram a andar, desarmados, pela “terra de ninguém”, um deles caminhou até à trincheira inimiga, o momento foi de tensão em ambos os lados, o soldado alemão seguiu em direção aos britânicos e franceses, os quais observaram o ato alemão.

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“Às 8:30, eu vi quatro alemães desarmados deixarem a sua trincheira e se dirigirem para a nossa. Eu mandei dois dos meus homens se encontrarem com eles, também desarmados, com ordens para que eles não ultrapassassem a metade do caminho entre as trincheiras, que distavam então de 350 a 400 jardas nesse ponto. Eram três soldados rasos e um padioleiro e o porta-voz deles disse que queria desejar a nós um Feliz Natal e esperava que nós, tacitamente, mantivéssemos uma trégua. Ele disse que havia morado em Suffolk, onde tinha uma namorada e uma bicicleta a motor.” Segundo relato escrito pelo Capitão Sir Edward Husle do exército real britânico.

Essa postura, inicialmente isolada, contaminou todos os presentes no conflito daquela região, desde os oficiais de alta patente até o soldados rasos. Por fim, soldados passaram a sair das trincheiras, atravessar a “terra de ninguém” e chegar até a trincheira inimiga para desejar feliz Natal aos rivais e, eventualmente, trocar comida e charutos.

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O espirito de Natal tomou aquele lugar, e no clima de confraternização passaram aquele dia de Natal como bons amigos, apesar de todo conflito, um amistoso jogo de futebol aconteceu entre os soldados em Ypres.

 

Há inúmeros relatos dessa trégua. Um deles foi dado pelo Capitão Stockwell, pertencente ao exército britânico: “Às 8:30h do dia 26, eu disparei três tiros para o ar, ergui uma bandeira com os dizeres ‘Merry Christmas’ e subi da trincheira. Os alemães levantaram uma placa com os dizeres ‘Thank you’ e o capitão deles apareceu no alto da trincheira. Nós nos saudamos e retornamos às nossas trincheiras. Em seguida, ele fez dois disparos para o ar. A guerra havia recomeçado”.

Mas, apesar da boa intenção dos envolvidos nesta trégua, não apenas a guerra em Yprès foi retomada como os oficiais envolvidos na trégua foram duramente punidos por seus superiores devido a “Tregua de Natal”.

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